Realizou-se mais um festival aéreo em Portimão na sua segunda edição. Nos dias 23 e 24 de Maio passado, evoluíram pelos céus de Portimão diversos tipos de aeronaves pilotadas por ases da aviação-espectáculo.
Os ingleses da Patrula Aerostars em formação ascendente.
De diversas nacinalidades, incluindo os portugueses da Força Aérea, os célebres Asas de Portugal e outros, passando por espanhóis, franceses, ingleses e alemães.
A Patrulha Culebra em alta velocidade.
Como habitualmente nestas manifestações acrobáticas, proporcionaram-nos momentos de grande espectacularidade e chamaram à zona ribeirinha elevado número de apreciadores desta modalidade que passaram grande parte das tardes de sábado e domingos nas margens do nosso rio Arade.
Ao fundo, a Fortaleza de S. João do Arade.
O tempo, apesar de ter ameaçado perturbar o espectáculo - em especial no sábado - acabou por colaborar e, pelo lado da meteorologia como pelos outros, tudo decorreu na normalidade, para gáudio de todos os que se proposeram passar o seu fim-de-semana em Portimão com essa finalidade.
Os Asas de Portugal em manobra apertada.
Mais uma vez, Portimão a dar cartas no Algarve, mostrando aquilo de que é capaz e que merece.
No Domingo, 12-10-2008, a zona ribeirinha de Portimão foi percorrida, em ambiente de festa, por mais de dois mil participantes provenientes de todo o Algarve e outros pontos do país, vestindo camisolas e bonés fornecidos pela organização no acto da inscrição.
Um mar de gente prepara-se para iniciar a caminhada.
Essa onda predominantemente cor de rosa e branca, constituiu um excelente exercíco matinal para os respectivos intervenientes, mas, acima de tudo, foi uma enorme manifestação de solidariedade para com todos aqueles que são afectados por problemas de natureza oncológica.
Passagem sob a Ponte Ferroviária de Portimão.
Durante 5 km, para os menos resistentes, ou 8 km, para os "profissionais" (incluindo alguns atletas de renome nacional que também participaram no evento, em passo de corrida), os marchantes cumpriram os principais objectivos propostos pela organização:
À beira-rio, na zona do Largo do Dique.
"Alertar para a problemática do cancro e angariar fundos para a construção da "Casa Flor das Dunas" – Projecto que a A.O.A. pretende levar a cabo, do qual consta a construção de um edifício para apoio ao doente oncológico" .... "habitação destinada a servir de residência temporária aos doentes oriundos de partes distantes que tenham de ser sujeitos aos tratamentos por radiações diários, normalmente com a duração entre 4 a 6 semanas".
Junto ao Cais Comercial com o Convento de S. Francisco ao fundo.
Mais uma vez, Portimão surge como cidade algarvia de vanguarda, da qual todos os portimonenses, originais e adoptivos, nos podemos e devemos orgulhar.
No entanto, há que referi-lo, por vezes, nota-se que a nossa participação poderia ser mais efectiva. Em eventos como este, parece ficar a sensação de que os forasteiros nos superam em número de presenças. Espero estar equivocado...
Alguns painéis de azulejos do Jardim 1º de Dezembro.
O Largo 1º de Dezembro, no coração da baixa, distingue-se pelo Jardim com o mesmo nome do qual faz parte uma colecção de dez painéis de azulejos colocados no encosto de cada um dos bancos lá existentes para descanso dos visitantes.
Trata-se de uma obra com mais de meio século de existência que se tem mantido razoavelmente bem conservada, embora, nos últimos anos, com o arrastamento das obras de transformação do palácio Sárrea Prado no futuro Teatro Municipal de Portimão, tenha vindo a passar por uma fase menos agradável.
Painel alusivo ao Tratato de Zamora.
Cada um dos dez painéis representa um momento da nossa história que, no seu conjunto, e na perspectiva do autor ou de que quem lhe encomendou o trabalho, corresponderão aos de maior relevância, desde a fundação da nacionalidade pelo Tratado de Zamora, em 1143, até à implantação da República com a revolução de 1910.
Pelo meio, surgem batalhas contra Espanhóis e Sarracenos, Descobertas do Novo Mundo e consolidação do Império Colonial, bem como a outorga das duas primeiras Constituições Portuguesas. Reflexos, obviamente, dos pontos de vista da governação daquela época ditatorial salazarista.
Painel alusivo à implantação da República.
Não deixa de ser curioso, ou melhor, patético, causando-me até alguma hilaridade o facto de a prisão de um Régulo Moçambicano, resistente anti-colonial, de nome Gungunhana, constituir, na opinião seja de quem for, um marco na história de Portugal... Com o devido respeito pelo personagem em causa e total desaprovação pelo que lhe fizeram, em especial, no seguimento da sua captura, os episódios ocorridos na transferência e estadia em Lisboa e desterro para os Açores.
Para uma consulta pormenorizada sobre este acontecimento, aqui fica uma ligação para o site Vidas Lusófonas, onde encontrará uma biografia pormenorizada de Gungunhana, da autoria de Carlos Pinto Santos.
Representação da captura do Régulo Gungunhana.
Mas, voltando ao jardim e aos seus painéis, está prometido pela Câmara Municipal de Portimão, nesta página do seu site, que, no seguimento das obras do palácio Sárrea Prado, o "Jardim 1º de Dezembro será, também, objecto de requalificação, tornando-se numa extensão do edifício, uma espécie de foyer ao livre, onde também acontecerão performances artísticas".
Fico, assim, na expectativa da conclusão dessas obras, já tão demoradas, para poder voltar a usufruir plenamente do maravilhoso recanto de Portimão que é o Jardim 1º de Dezembro. Um pequeno espaço acolhedor no centro da cidade, retirado e pacato como talvez nenhum outro, e onde podemos reflectir um pouco sobre a nossa história e não só, recostados num dos tais painéis, observando atentamente os restantes.
Fachada principal da Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha.
Alinhada com o Forte de S. João do Arade, mas na margem direita do rio e sobranceira a este, encontra-se a Fortaleza de Santa Catarina, certamente, o mais importante chamariz arquitectónico da Praia da Rocha.
Foi projectada e construída no século XVII, durante o reinado de Filipe IV de Espanha, para defesa da entrada do Arade a inimigos que o demandassem por via marítima, tendo acolhido no seu interior uma ermida com o mesmo nome que, segundo os historiadores, já existia, anteriormente, junto ao rio.
Vista de baixo, com toda a sua imponência.
Também é conhecida por Fortaleza de Santa Catarina de Alexandria ou Santa Catarina de Ribamar. A exemplo do que sucedeu ao Convento de S. Francisco, sofreu os efeitos do terramoto de 1755, tendo ficado também bastante danificada. No entanto, ao contrário daquele, foi prontamente reparada.
Diz também quem sabe, que foi, sucessivamente, remodelada até chegar ao que é hoje, nada lhe restando da construção original a não ser a fachada principal. Foi ocupada pela Polícia Marítima e Guarda Fiscal e, com o surgimento da indústria turística, no século passado, inevitavelmente, transformada também em restaurante, café e geladaria... O costume...
Vista poente, para a praia. Na linda do horizonte, Lagos e a sua baía.
Valha-nos, ao menos, que, ao longo das últimas décadas, tem sido preservada - não tão bem como se desejaria, mas de uma forma "aceitável" - e sempre mantida aberta à circulação pública.
Dessa forma, tem feito os encantos de muitos milhares de turistas, portugueses e estrangeiros, que, para além da sua arquitectura, disfrutam a extraordinária vista sobre o rio, o mar e a própria Praia da Rocha, a partir dos seus pontos de miradoiro.
Vista da rotunda da marina, numa tarde de inverno.
Pena é que, como factor de realce do monumento e da sua história, não haja um pouco mais de informação acessível a todos os que a visitam. Um pormenor que a Câmara Municipal, certamente, solucionará com a maior das facilidades.
O que se justifica, cada vez mais, pelo aumento de afluência de visitantes, face às alterações da sua envolvência efectuadas nos últimos anos. O complexo da marina, mal ou bem, construído em espaço subtraído ao rio, não deixa de ser um motivo de atracção para todos os que visitam a Praia da Rocha.
Zona interior, com a cisterna, ao centro, e a capela, à direita.
Fachada principal do Convento de S. Francisco, em Portimão.
A fundação do Convento de S. Francisco - ou de Nossa Senhora da Esperança, como também é conhecido - remonta ao século XVI e é fruto da iniciativa de Simão Correia, antigo capitão de Azamor.
A sua história parece querer contar-nos que, logo na sua origem, terá sido fadado para o infortúnio, a crer naquilo que por aí está escrito. Desde desentendimentos entre os Franciscanos até derrocadas, venda a privados que o utilizaram inapropriadamente como armazém disto e daquilo, incêndios e por aí adiante, tudo lhe aconteceu.
No entanto, a pior das desgraças terá sido, certamente, o total abandono a que foi votado nas últimas décadas, período em que se foi acentuando a sua degradação, pondo, cada vez mais, em risco o que ainda resta da sua estrutura arquitectónica.
Convento de S. Francisco, Portimão. Vista Sul.
Dizem as crónicas que, no decurso do século XX, a autarquia de Portimão tentou adquirir o edifício, nunca tendo logrado concretizar tal pretensão. Actualmente, desconheço se ainda existe tal vontade da parte da Câmara Municipal e, em caso afirmativo, se têm sido feitas quaisquer diligências no sentido da sua aquisição e posterior recuperação.
Em Março de 2006, o jornal local "Barlavento" publicou uma peça sobre o Convento de S. Francisco - curiosamente, na secção "Economia"... - onde dava conta de que os proprietários "pretendem requalificar e transformar o espaço histórico num luxuoso Hotel de Charme".
Este Monumento foi classificado como imóvel de interesse público em 30 de Novembro de 1993, através do decreto 45/93. Decorreram quase 15 anos. Já passou muita água por debaixo das pontes do Rio Arade. Mas o tal "interesse" que foi decretado, até ao momento, não consta que se tenha manifestado. Pelo menos, em termos práticos, que é o que interessa.
Interior do Convento de S. Francisco, Portimão.
Porém, a tal notícia do Jornal ficou-me aqui "em suspenso" e, sempre que me lembro do Convento, dou comigo a lançar interrogações para o ar para as quais ainda não encontrei resposta.
O primeiro lugar, já o referi atrás como uma dúvida, será que a autarquia ainda está interessada na aquisição do edifíco - e área circundante, claro. Nem me passa pela cabeça que não esteja - passe a incongruência...
Segundo: será que os seus actuais proprietários já iniciaram o processo de licenciamento e construção do tal hotel de charme?
Terceiro: Será aceitável que, numa das mais representativas e progressivas cidades do Algarve, se mantenha uma situação destas, em que um Monumento emblemático do concelho se vai esvaindo, na frente dos nossos olhos, pedra após pedra, até à derrocada final?
Interior do Convento de S. Francisco, Portimão.
Quarto: Será que a Cãmara Municipal de Portimão, a exemplo do que fez - quanto a mim, muito bem - com o antigo Estádio do Portimonense ou, se não for da sua competência, a entidade oficial que lhe competir, não poderão proceder à sua expropriação, na eventualidade de não chegarem a acordo com os actuais donos?
Poderia referir aqui mais algumas perguntas que também me ocorrem, mas não vejo necessidade disso. O que me parece importante é que algo seja feito, quanto antes, ou poderá ser tarde de mais. E, para isso, seria bom que todos nós, munícipes portimonenses, não deixássemos cair este assunto em saco roto.
E que o executivo camarário também nos informasse do que foi e está a ser feito relativamente a este caso. Mas, refiro-me a acções concretas. E, se não estiver a ser feito nada, que passe a sê-lo.
Interior do Convento de S. Francisco, Portimão.
Apresento aqui algumas fotografias bem elucidativas do adiantado estado de degradação em que o edifício se encontra. O intuito não é o de atacar ninguém, pessoas ou instituições, mas apenas e exclusivamente o de lançar mais um alerta - diria, até, um grito de socorro - para um problema que é tão urgente como importante para a nossa cidade.
Noutra página intitulada Galeria do Convento de S. Francisco, deixo mais algumas. Para que, antes de mais, possam ver, ou melhor, imaginar a beleza daquele monumento e, depois, o real estado de calamidade em que se encontra e a urgência em se fazer algo para que não se perca em definitivo.
Veja também como o IPPAR descreve este Monumento e a sua história.
Até à próxima e obrigado por ter visitado este Blog.
Em tempo: O pedido de classificação do Convento de S. Francisco como imóvel de interesse público foi apresentado, em 1986, pelo Dr. Manuel Ramos – autor dos blogs Saco dos Desabafos e Blogue do Vereador – e pelo Professor Horta Correia. A ambos presto a devida homenagem.
Convento de S. Francisco, Portimão. Vista para o Rio Arade.
Veja aqui a apresentação das fotografias no YouTube:
Seguindo a tradição dos últimos anos, a autarquia promoveu um ciclo de actividades festivas nas quais se incluem a passagem do ano, com uma monumental queima de fogo de artifício, dita "a maior do mundo em extensão" (estes títulos cheiram-me à habitual "saloiice" portuguesa, ou melhor, ao fatídico preconceito de sermos um país de reduzida dimensão...), que se alongou desde a zona ribeirinha da cidade até à Praia da Rocha e Alvor, o 2º festival de humor SolRir e o Dakar 2008.
É inegável que, com estas e outras iniciativas que se foram sucedendo durante todo o ano de 2007, a autarquia conseguiu colocar Portimão no centro das atenções de grande parte dos portugueses e levou também o seu nome muito além fronteiras.
Portimão, apesar de algumas lacunas que urge remediar, é hoje, sabe-se lá, o concelho do Algarve mais prestigiado e o mais procurado pelo turismo nacional e, porventura, internacional.
Desconheço quais os custos reais destes investimentos em termos de orçamento camarário e de eventuais comprometimentos actuais ou futuros de natureza diversa, mas espero que tudo esteja a ser feito com responsabilidade e com a precaução que o bom senso aconselha.
Queremos ver Portimão progredir a toda a velocidade, mas que não lhe venha a suceder o mesmo que em tantas outras autarquias por esse país fora, já para não falar de duas ou três nossas vizinhas, que se encontram financeiramente de rastos.
Para já, não posso deixar de reconhecer que a minha avaliação do que foi feito no concelho é positiva e aguardo, com alguma expectativa, a concretização de projectos que já se iniciaram ou estão prestes a sê-lo, bem como dos que ainda parece estarem bem longe de ser uma realidade.
Exposição itinerante sobre a igualdade de oportunidades para todos.
Sob o lema 2007 - Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, está a decorrer em Portimão uma exposição itinerante com o objectivo de nos sensibilizar para o direito à igualdade e à não discriminação.
Segundo foi dito num dos discursos de apresentação, esta exposição já percorreu todas as capitais de distrito de norte a sul do país. Portimão é a primeira cidade não capital que a recebe.
Não sei se daí é legítimo tirar a ilação de que a nossa cidade foi considerada ao nível de importância das ditas capitais, mas, como ninguém afirmou o contrário e eu gostaria que o fosse, acredito que sim.
Representação da Autarquia na cerimónia inaugural.
Tendo como ideia base a não discriminação em função do sexo, etnia, religião, deficiência, idade, e orientação sexual, pretende-se que seja dada a todos igualdade de oportunidades a fim de atingir o obectivo de todos vivermos no seio de uma sociedade justa.
De facto, a meu ver, será nesta área que a sociedade actual evidencia um dos maiores défices. Estamos a uma enorme distância de vivermos numa sociedade realmente justa. Aliás, talvez não cometa nenhuma heresia se disser que as injustiças se acentuaram no decurso das últimas décadas e dos últimos anos.
Cada vez parece haver mais intolerância e menos solidariedade. A ambição desmedida, o atingir fins sem olhar a meios transformaram-se num ideal que parece ser praticado e exaltado no dia a dia como se de uma coisa boa se tratasse.
Actuação do Grupo Coral da Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º de Dezembro.
Felizmente que existem estas iniciativas. Infelizmente, parece-me, elas constituem mais uma actividade "folclórica" de exorcismo de alguns fantasmas que, por vezes, atormentam as nossas consciências, do que propriamente algo que nos leve a mudar o rumo dos acontecimentos.
Todos os que lá vamos - e gostaria de saber quantos, pois duvido da fartura - ficamos muito "sensibilizados" com o que lá vemos, damos muito boa palavra a quem lá está, temos muita pena dos imigrantes, dos deficientes, dos idosos e de todos os discriminados por esta ou aquela razão.
E, no nosso dia a dia, o que é que fazemos para que haja, efectivamente, uma melhoria das condições de vida dessas pessoas?...
Actuação do Grupo Coral da Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º de Dezembro.
No final da tarde, já bem no final, actuou o Coral da Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º de Dezembro, constituído por um grupo de simpáticas e divertidas cantoras.
Interpretaram várias cantigas do nosso cancioneiro tradicional com as quais entretiveram e animaram a assistência, que, embora escassa, se mostrou muito interessada.
Estandarte da Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1º de Dezembro.
Ainda de acordo com o espírito do evento, esteve, igualmente, em palco um grupo de dança de jovens, filhos de imigrantes residentes em Portimão, que também deliciaram os presentes, com a alegria, ritmo e entusiasmo que puseram na sua actuação.
Mas, isto não é o mais importante. Essencial era que todos nós, portimonenses e vizinhos de concelhos limítrofes, lá fôssemos, meditássemos bem no objectivo da exposição e, acima de tudo, fizéssemos algo de real para atingir esse objectivo.
Não se esqueça! Vá ao 2007 - Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, na Zona Ribeirinha de Portimão de 18 a 23 de Setembro de 2007.
Actuação de um grupo de dança de filhos de imigrantes residentes em Portimão.
O V Symposium Internacional de Escultura está a decorrer na Zona Ribeirinha de Portimão.
Em Março passado, publiquei aqui um post sobre as esculturas à beira-rio. Pois, esta semana, não sei se por culpa minha - certamente que sim, serei fraco observador - se por o evento não estar suficientemente publicitado, fui confrontado, quase por casualidade, com nova agradável surpresa na Zona Ribeirinha.
Até 3 de Junho próximo, decorre mais um Symposium Internacional de Escultura, na sua quinta edição, junto ao edifício da antiga lota, onde podemos observar os participantes no evento - sete escultores de várias nacionalidades - na sua tarefa de dar nova vida á pedra.
Confrontado com um bloco destes, cabe ao escultor trabalhá-lo e dar-lhe novas formas.
E se algumas delas ainda estão "em bruto" ou pouco mais, outras há que, pela mão de quem sabe - e sente - já tomaram parcial ou totalmente a nova forma que o autor criou no seu imaginário e lhe foi dando, sabe-se lá com que dificuldade.
Pela amostra do que já foi feito, o produto final vai, com certeza, corresponder às expectativas. Não digo dos seus autores, que esses é provável que aspirem sempre a mais e melhor, mas dos que, como eu, apenas sabemos usufruir do resultado do seu trabalho sem nos darmos conta de quão difícil é criar.
Só com boa protecção se consegue evitar o pó.
Em conversa, no local, com o Mestre Arlindo Arez, escultor e pintor portimonense de nomeada, com atelier em Alcalar, participante no Symposium e seu grande dinamizador, fiquei a saber que o evento é apoiado por várias entidades, nomeadamente, a Câmara Municipal de Portimão. Estamos todos de parabéns: nós e a Câmara. Os dinheiros investidos na cultura são sempre de grande rendibilidade.
No final, os trabalhos realizados serão colocados na Zona Ribeirinha, fazendo companhia às outras esculturas que já lá se encontram, aumentando assim, significativamente, o património cultural da Cidade. Portimão ficará mais rica. E a Zona Ribeirinha ainda mais bonita.
Todos se entregam entusiasticamente à sua obra.
Vamos, então, aguardar a conclusão do V Symposium Internacional de Escultura de Portimão para, no final, podermos apreciar os trabalhos realizados por estes sete consagrados escultores nele participantes.
Entretanto, não deixe de passar pela beira-rio, onde os poderá ver trabalhar as suas obras ao vivo, junto ao edifício da antiga lota. Vale a pena.
Se quiser ver mais algumas fotografias, siga este link, clicando em galeria de fotos.
Eis um trabalho muito elaborado e já em fase avançada.
O Museu Municipal de Portimão está ser instalado na antiga fábrica de conservas da Família Feu.
Finalmente, o Museu Municipal de Portimão parece dar-nos a entender que não demorará muito a ficar concluído. Depois de uma espera de tantos anos, não deixa de ser com satisfação que, nas minhas frequentes passagens à sua beira para "inspecção" da evolução das obras, verifico que vai ficando apresentável.
Não sei para quando está prevista a sua abertura ao público - ou sequer se já estará prevista - mas, exteriormente, dá gosto observá-lo. Por mais que não seja, pelo que representa no concretizar do sonho de muitos portimonenses de verem recuperado um símbolo tão representativo da história da sua cidade.
O sem-fim que transportava as cestas com o peixe do barco para o interior da fábrica, já é visível.
Há um estúpido ditado antigo - "de Espanha nem bom vento nem bom casamento" - que, de algum modo, representa o divórcio secular entre Portugal e Espanha criado, artificialmente, por gente de má índole. O edifício e, principalmente, a história desta antiga fábrica de conservas desmentem categoricamente tal ideia.
Trata-se de um testemunho inegável. No início do século XX, uma família de espanhóis - (nuestros) "Hernanos Feu" - radicou-se em Portimão e construiu uma fábrica de conservas.
Durante muitas décadas, deu trabalho a muita gente, incluindo milhares de operárias conserveiras, ajudou a desenvolver a indústria de pesca local e levou o nome de Portimão e de Portugal a quase todos os continentes através das suas exportações de conservas. Entre as suas marcas, "La Rose" tornou-se mundialmente famosa.
A velha chaminé da fábrica, devidamente preservada, é, só por si, um símbolo. Em Portimão, em meados do século XX, existiam dezenas.
Quando a crise chegou, as fábricas de conservas de Portimão morreram de pé como as árvores, mas, devido à grande boa vontade dos descendentes de D. Caetano Feu e da autarquia, foi possível recuperar a Fábrica Hermanos Feu, também conhecida por Fábrica de S. Francisco, como memorial da indústria conserveira da nossa cidade.
O processo foi demorado. Mais do que seria desejável. Valeu-nos que, esporadicamente, o espaço, mesmo sem condições, foi servindo de palco a diversas exposições, que, francamente, agradaram. Lembro-me dos casos da World Press Photo e Alcalar - A Pré-história em Portimão, por exemplo.
Mas, como mais vale tarde do que nunca, a obra vai tomando forma. A expectativa é de que possamos observar uma fábrica de conservas antiga, tal como funcionava, com todas as máquinas e apetrechos originais, e perceber como se fabricavam as conservas de peixe no século passado.
A arquitectura poderia enquadrar-se melhor no ambiente de uma antiga fábrica de conservas, mas são gostos...
Que o mesmo é dizer que ficaremos a saber mais sobre Portimão e a sua história, inevitavelmente ligada à actividade piscatória e afins e delas quase totalmente dependente até ao surgimento da nova indústria dos nossos dias: o turismo.
Certamente que, no final, terá valido a pena esperar. Pacientemente, como é nossa tradição.
À beira-rio, podemos apreciar diversos trabalhos de escultores de várias nacionalidades, entre os quais, Arlindo Arez, escultor e pintor portimonense, autor desta "Cariátide".
Quem, diariamente, faz o passeio da zona ribeirinha, muito "brasileiramente" falando, também chamado de "calçadão", tem a tendência de passar pelas esculturas ali existentes, há alguns anos, e quase já não as ver.
Mas, aqueles que só vêm a Portimão esporadicamente ou ali passam pela primeira vez e os que, realmente apreciam arte, são, forçosamente, atraídos por um conjunto de trabalhos de escultores de várias nacionalidades, entre os quais, alguns portugueses.
Não sou entendido na matéria, mas não posso deixar de apreciar, com os meus olhos de leigo, aquelas obras. E gosto. Gosto delas em si e do seu enquadramento. Na generalidade, relacionam-se, de algum modo, com a água, o mar, o rio.
Os "canitos", com a permissão dos donos, aproveitam esta Afrodite para alçar a perninha....
Não posso, no entanto, deixar de lamentar, que algumas das esculturas, como esta Afrodite, tenham sido colocadas directamente no chão. "Distracção" de quem as mandou lá pôr? Vontade de alguém, eventualmente, os autores? Desconheço. Mas os resultados são bem visíveis...
Afrodite, a deusa grega do amor, da beleza e da paixão, a Vénus dos romanos, serve aqui em Portimão para os "canitos" de alguns, portimonenses ou não, alçarem a patinha e alijarem aquele liquidozinho amarelo que foram acumulando, durante muitas horas, presos e solitários, num apartamento sem o mínimo de condições para os acolher.
Como vingança, portanto, nada melhor do que urinar na cara da escultura duma deusa, para eles tão apetecível como qualquer esquina, sinal de trânsito ou posto de electricidade, já que não o podem fazer na perna dos donos, por respeito...
Junto dos restaurantes da sardinha assada, há várias esculturas que, nem sempre, são devidamente respeitadas por quem lá trabalha.
Também aqui em Portimão, à semelhança do que se passa no resto do país, há uma grande falta de civismo. Aquela mentalidade de que nós só temos direitos e os outros só têm deveres é, talvez, um dos maiores obstáculos a ultrapassar.
Temos todos de perceber que a mudança e o progresso dependem, essencialmente, de cada um de nós. Há que olhar pela nossa terra, sermos responsáveis, sermos exigentes connosco próprios em primeiro lugar e, depois, com os outros. Nada cai do céu, de mão beijada, a não ser a chuva.
Se quiser ver mais fotografias de todas as esculturas, siga este link, clicando em galeria de fotos.
"Hipocampo", também da autoria de Arlindo Arez, escultor e pintor portimomense com atelier em Alcalar.
O Forte de S. João do Arade era um guardião da entrada do rio.
Acontece frequentemente abstrairmo-nos do que temos à nossa volta e prestarmos apenas atenção àquilo que se encontra para além do nosso alcance quotidiano. A beleza que nos rodeia parece tornar-se banal por a termos sempre disponível e tendemos a só atribuir valor ao que é dos outros e está do lado de lá.
Em Portimão e arredores há muitas coisas dignas de apreço e tenho a sensação de que muitos de nós as deixamos, sistematicamente, passar ao lado, quando delas poderíamos usufruir com a maior facilidade.
O Forte de S. João do Arade - monumento classificado, embora propriedade de particulares - foi, recentemente, objecto de obras de recuperação e ficou de cara lavada.
É um pequeno forte cujos primórdios remontam aos finais do sec. XV, um dos emblemas da nossa linda vizinha Vila de Ferragudo e está sempre disponível a quem o olha da margem direita do nosso rio comum - o Arade.
Até os barcos acostados na marina se perfilam para lhe prestar homenagem....
Em todos estes séculos, foi um dos guardiões da entrada do Rio Arade e, se falasse, muitas coisas teria para nos contar. Não tendo voz, deixa-nos, no entanto, a possibilidade de dar largas à nossa imaginação e recordarmos por ele o que por ali se passou.
Quanta água - no inverno castanha dos aluviões roubados aos homens da serra e do barrocal;
Quantos barcos - galeões de quase-escravos, traineiras e enviadas, botes e chatas;
Quantos marujos - pescadores, mestres e contra-mestres, velejadores e remadores.
Quantos naufrágios - de barcos encalhados nos baixios das movediças areias do Rio, eternamente assoreado.
Tudo ele viu.
O Forte de S. João do Arade foi edificado à babuja do Arade e sobre as própria rochas que apertam as suas águas na margem esquerda.
E, agora - idoso mas sempre atento, em pose de sentinela impotente para parar o inimigo ou, mesmo, alertar do seu avanço inexorável - ali se mantém firme numa confrontação com as modernices que, do lado de cá, se têm vindo a instalar a pouco e pouco, ocupando espaços em terra e - preocupante, muito mais preocupante - roubando os que pertenciam ao Rio e ao Mar.
Dizem os antigos - velhos sábios marujos - que as suas águas, mais tarde ou mais cedo, virão sempre recuperar o que lhes pertence.
Não sei se sempre, mas os exemplos estão à vista. Não há inverno que não nos mostre essa tentiva do mar a tentar reocupar o que já lhe pertenceu, como aconteceu na Costa da Caparica ainda há dias.
Entretanto, disfrutemos do que a nossa terra tem de belo. Porquê perdê-lo todos os dias?...
Num mesmo olhar, num abraço amigo, o Forte, a Cidade, a Fóia e as Águas do Arade, já salgadas do mar.
Por vezes, volto as costas para o mar e avisto casas que, felizmente, ainda destoam das que as rodeiam.
A paisagem da Praia da Rocha não é só areia, mar e sol. Quando, caminho pelo passadiço de madeira ou, à babuja, pela areia fresca, frequentemente dou comigo a olhar para o casario e, aqui e além, no meio daqueles caixotes de betão, ainda consigo descortinar uma casinha ou outra com a sua graça.
Eventualmente, não serão de grande traça arquitectónica - deixo isso aos entendidos, que pouco me preocupa - mas que me agradam à vista, agradam.
Provavelmente, porque as vejo à beira do sufoco, apertadas por edifícios feios e desproporcionados, quais espécies infestantes, construídos à sua volta nas últimas décadas, sinto a sua beleza sobressair como que num pedido de socorro, talvez desesperado, apelando à atenção de quem passa.
Estas pequenas casas que, no seu tempo, eram grandes mansões estão agora oprimidas por grandes edifícios sem qualquer beleza.
Felizmente, todas as aqui apresentadas têm horizonte aberto para o mar em condições de não ser possível - digo eu - emparedá-las desse lado. Será, certamente, uma garantia de que poderão continuar a ser apreciadas por todos os que delas gostem como eu, sejam portimonenses ou visitantes e amigos da nossa terra.
Isso, claro, com uma boa dose de optimismo que, por vezes, já é difícil de arranjar. Porque no fundo, no fundo, surge-nos sempre a dúvida e, mesmo involuntariamente, uma pergunta vem ao de cima:
Até quando se manterão a consolar-nos a vista, sem ser substituídas por outras edificações, mais modernas e rentáveis, árvores de patacas inevitavelmante mais feias e deprimentes, para acolher mais uns bares, restaurantes, artesanatos ou seja lá o que for?...
Por quanto tempo mais, o pequeno Hotel Bela Vista se manterá assim com o seu palmar-esplanada?...
O que mais me custa e preocupa é ver que a generalidade dos jovens das últimas gerações, da Praia da Rocha só conhecem os bares da zona da Katedral, numa perspectiva embaciada, húmida e acinzentada da noite.
Quanto à praia propriamente dita, também a conhecem de revés, quando, com os olhos ainda piscos da noitada na tal zona dos bares, se atrevem, aí pelas seis, sete horas da tarde, a dar o seu mergulho vespertino no intuito de melhor despertar para mais uma sessão nocturna de shots & bejecas.
Se eles já alguma vez tiveram oportunidade de apreciar a beleza das pequenas coisas como estas ou se, ao menos, sabem que elas existem, não lhes posso dizer. Porque já não há tempo, condições e, ainda menos, vontade para as gerações dos cotas e dos jovens (em idade física, claro...) dialogarem sobre seja o que for.
Poucos já terão tido o privilégio de olhar o mar a partir daquelas janelas.
O Boa Esperança tem em cena a sua tradicional revista de carnaval.
E a justiça que é linda Linda, linda demais E a justiça que é linda E injustiça é o que há mais
Perdoem-me se não corresponde exactamente ao original, pois escrevo-a de memória, mas é com esta quadra que o Grupo de Teatro do Boa Esperança abre o seu espectáculo de Revista do Carnaval 2007, em Portimão. Que outro tema poderia ser mais oportuno caricaturizar em Portugal neste momento?...
Trata-se de um excelente grupo amador da nossa terra que, a pouco e pouco, tem vindo a conquistar um lugar de relevo na preservação do teatro de revista, cujas representações já são apreciadas, há alguns anos, muito para além dos limites do nosso concelho, com público não só de todo o Algarve como de outras partes do sul do país.
E, assim, vai cumprindo a tradição de ser uma das raras manifestações comemorativas do carnaval na nossa cidade, para além dos bailes das três sociedades recreativas - Boa Esperança, Glória ou Morte e Vencedora - e de outras espontâneas iniciativas individuais ou de pequenos grupos, que, na generalidade, têm pouco mais espectadores do que os próprios foliões.
Os Bombeiros de Portimão marcaram presença na sua cidade, que pouco brinca ao carnaval.
Este ano, a meteorologia não colaborou e estragou por completo a habitual festa dos mascarados, na Segunda-Feira, na sua deslocação trapalhona entre as três Sociedades, que costuma contar com uma assistência significativa de portimonenses e não só.
Assim, manifestações de rua, ficam-nos o desfile das crianças das diversas escolas, o aparecimento, quase relâmpago, da charola dos Bombeiros e a comparência dum pequeno grupo de foliões ligados à Casa do Sporting de Portimão, segundo julgo.
Portimão, a segunda maior cidade do Algarve, tem obrigação de fazer melhor. E não me refiro a "brasileiradas" do género das que fazem em Loulé e noutras terras portuguesas, que nada têm a ver com as nossas tradições, mas a alguma animação genuína, como se fazia antigamente em todas as cidades, vilas e aldeias, com a participação directa de toda a gente.
Não é preciso gastar muito dinheiro para nos divertirmos. Basta gostar e haver capacidade de iniciativa.
Estou convencido que, se os órgãos autárquicos - Câmara e/ou Juntas de Freguesia - ou, talvez melhor ainda, uma ou várias Associações Recreativas tomassem qualquer iniciativa nesse sentido, com muito pouca despesa, teríamos uma Terça-Feira de Carnaval na rua, bem animada para muitos portimonenses que, assim, ou ficam em casa ou se deslocam para terras vizinhas.
Posso-lhes garantir que, nestas pequenas brincadeiras de carnaval a que assisti, vi espontaneidade, alegria, participação e ar de verdadeira festa no rosto dos poucos que tiveram a sorte de a elas assistir e participar.
Se quiser ver mais algumas fotografias visite esta galeria.
Estas são manifestações genuínas de comemorar o carnaval à nossa maneira.
Por tradição, o largo em frente da "Casa Inglesa" é a sala onde Portimão recebe as suas visitas.
Há dias, mãos amigas trouxeram-me estas maravilhosas fotografias da sala de visitas de Portimão. E digo maravilhosas não pela sua qualidade técnica - são já fotocópias de originais - mas pelo testemunho que nos dão do passado deste cantinho da cidade.
Não é nada que qualquer portimonense não tenha já visto em melhores condições, e ainda muito menos comparado com as imagens da juventude que os mais antigos, nos quais já me incluo, guardam na memória do que era a "Casa Inglesa" e a zona ribeirinha.
No entanto, não é de mais evidenciar o que era e é esta linda terra - antes Vila Nova de Portimão, e, desde 11-12-1924, cidade de Portimão, por obra dum seu filho, Manuel Teixeira Gomes, ilustre homem de letras, Presidente da República e representante de Portugal por essa Europa e norte de África.
Compare estas duas fotografias tiradas com cerca de meio século de intervalo.
Chamem-me saudosista, antiquado ou o que queiram, mas por mais que quisesse - e não quero - nunca poderia esquecer esta praça com a sua beleza simples e o seu espaço aberto, apenas dividida pelo verde das plantas que tão bem disfarçavam os sanitários subterrâneos ou pelo coreto, peça insubstituível, que hoje, se lá estivesse, seria, indiscutivelmente, o centro das atenções de quem por ali andasse.
O progresso, por definição, não pára. Portimão diz-se um município de progresso e todos nós queremos que o seja. Mas, não posso deixar de lamentar as asneiras que, em nome dele, fomos fazendo ao longo destas últimas décadas. Uns decidindo, outros concordando ou discordando e outros ainda, talvez a maioria, nem uma coisa nem outra, alheando-se da sua própria cidade.
Agora, no sítio do coreto, não temos nada. Ao lado, temos um espelho d' água, como se diz modernamente, circundando o memorial ao Presidente Teixeira Gomes, que dá a sua graça àquele espaço. Onde existiam os tais sanitários, temos aquele "mono" da geladaria, cujo nome já nem sei, único "caixote" que ali ficou quando da remodelação da praça e do jardim, por razões que desconheço mas, sejam elas quais forem, não aceito.
E basta olhar para a fotografia actual para perceber que aquele pequeno monstrinho desfigura toda a praça. Ainda por cima com aquelas casas de banho inestéticas e pouco asseadas nas traseiras. Traseiras é como quem diz... No meio dum espaço daqueles não há traseiras. Todos os lados são frente.
Vejam bem no que a Caixa Geral de Depósitos, banco do Estado, transformou este edifício...
E, já agora, reparem bem no que a Caixa Geral de Depósitos, banco que sempre pertenceu do Estado, foi, a pouco e pouco, fazendo a este magnífico edifício, em diversas "remodelações" estrategicamente efectuadas ao longo dos anos, até ficar no "caixote" (de Caixa...) que se pode ver de branco com listas cinzentas. Quanto pode o vil metal...
Mas, não é por isto que Portimão deixa de ser uma cidade bonita, acolhedora e em franco progresso. São apenas alguns senãos que vieram a talhe de foice e que urge não repetir. Aliás, ainda não perdi a esperança de ver a dita geladaria removida daquele local. Será que sou demasiado ingénuo?...
De qualquer modo, prometo que, nos próximos posts, irei demonstrar que vale bem a pena viver e visitar Portimão. Veremos...
Até breve.
Em várias "remodelações", a Caixa tranformou um espectacular edifício num "Caixote"...
Após largos meses de ausência, o Portimonense voltou a jogar no seu estádio.
Depois de seis meses a jogar no estádio do Algarve, o Portimonense voltou ao estádio de Portimão, onde jogou durante muitas décadas, e logo para se confrontar com o Olhanense, outra equipa algarvia de grandes tradições no futebol português.
Foi dia de festa para os portimonenses adeptos do futebol, já que, para os restantes, a coisa quase passou despercebida. O desafio foi precedido e jogado em ambiente de festa, com direito a fanfarra dos bombeiros e apresentação de todos os atletas do clube, com especial enfoque nas suas camadas mais jovens.
Fiquei a saber, ouvindo uma gravação da conferência de imprensa dada pela direcção, disponível no site do clube, que o estádio, para além de não pertencer ao Portimonense, estava sob ocupação selvagem, pois há trinta anos que os proprietários do terreno nada recebiam do Portimonense e este deixara, há muito, de pedir autorização para o utilizar.
No regresso ao estádio de Portimão, o adversário foi o Olhanense.
Antigamente, sempre por cá constou haver fortes ligações do clube à Câmara Municipal, através de pessoas que ou faziam, simultaneamente, parte de órgãos de uma entidade e da outra, ou estariam excelentemente relacionados. Nãi sei se é verdade ou não.
Desde que se levantou a polémica da saída do Portimonense deste estádio e recuperação do terreno pelos proprietários, muitas más-línguas disseram que a intenção era transformar tal espaço numa área de construção de mais uns quantos edifícios, apesar daquele espaço estar classificado no PDM como zona desportiva. Desconheço se qualquer desses ditos corresponde ou não à verdade.
Também, desde há alguns anos, sempre ouvi dizer que a Câmara iria construir, noutro local, um complexo desportivo com campos de futebol onde, eventualmente, o Portimonense passaria a jogar. Continuo a desconhecer a veracidade desse rumor.
Consta, agora, - e na conferência de imprensa da direcção do Portimonense houve quem chegasse a referir essa hipótese - que a Câmara Municipal estará ou irá iniciar um processo de expropriação do dito terreno, depois de falhadas todas as tentativas de chegar a um acordo com os respectivos proprietários. Não me perguntem que eu também não sei se é verdade.
Ora, tudo isto vem a talhe de foice, a propósito do meu último post em que falava da necessidade de espaços na cidade.
No seu regresso a casa, o Portimonense foi feliz e venceu o Olhanense por 1-0.
Dizia eu que pouco mais nos restava, em termos de espaços, do que a zona ribeirinha. Pois esse pouco mais referia-se exactamente ao estádio de futebol e à sua zona circundante.
Com expropriação ou sem expropriação - os direitos dos proprietários devem ser respeitados, embora o interesse público se sobreponha - é, sem dúvida, a última grande oportunidade de brindar a cidade de Portimão com aquilo que poderá vir a ser um precioso espaço, de preferência verde, com excelente localização, tentando compensar a triste paisagem carregada de edifícios bem altos e horrorosos que, ali ao lado e um pouco por toda a cidade, foram construídos uns em tempos que já lá vão, outros em tempos muito recentes. E continuam...
Veremos se a Câmara Municipal tem possibilidades e capacidade para gerir esta situação da melhor forma para a cidade, já que vontade acredito que, certamente, não lhe faltará.
Anunciam-se tantos milhões, mas tantos milhões de euros em investimento no concelho que nem fui capaz de saber ao certo quantos. Ou melhor, é uma fartura tão grande que não vale a pena o esforço de somar tais cifras só para saber o montante exacto. É uma fartura e pronto...
Obviamente, senti-me feliz com tal notícia, enchi o peito de ar, orgulhei-me de ser um dos munícipes deste concelho e fico, confiante, à espera que eles se concretizem.
Espero, contudo, que as contrapartidas de tais investimentos, caso se confirmem, não sejam coisas como este prédio que está a ser construído no lugar onde, há anos, existiu o Cinema de Portimão, que todos os que o conheceram, certamente, recordam com saudade.
Há lá um cartaz a chamar-lhe Casa do Rio. A meu ver, ficar-lhe-ia muito melhor o epíteto de Monstro do Rio.
De facto, não me conformo que se continuem a fazer coisas destas na cidade. E piores ainda, se espreitarmos ali para os lados do Parque da Juventude. Para não falar da Encosta da Marina, que não adianta chorar sobre o leite derramado.
Bem lhe podiam chamar o Monstro do Rio...
A nossa cidade precisa de espaço. Precisamos todos de espaço. E há que aproveitar o pouco que ainda nos resta - que se resume à zona ribeirinha e pouco mais - e não o consumir ou conspurcar com coisas horríveis como isto.
Curiosamente, a menos de cem metros de distância, no mesmo Largo, está a ser construído um outro edifício a que, assim à primeira vista, parece não haver nada a apontar.
Se quiser saber mais notícias sobre Portimão, publicadas no Barlavento On-Line, clique em Portimão - Cidade do Mundo.
A ponte do Caminho-de-Ferro foi reparada recentemente.
Portimão, terra ribeirinha, sempre afagada pela babugem do rio e, por ele, ligada ao mar...
Por esse Arade, desde tempos ancestrais, viu surgir os barcos que demandavam o seu porto e viu passar, rio acima, muito outros que se dirigiam à grande Xelb árabe - glória histórica do nosso Algarve - Silves.
Inevitavelmente, também sobre esse mesmo rio surgiriam as pontes, indispensáveis na ligação com a outra margem. Aqui as apresento hoje, desde as mais velhinhas, quase centenárias, até às mais recentes, construídas nas últimas décadas.
A ponte nova, de tabuleiro suspenso e desenho moderno.
As duas mais antigas parecem não ter direito às mesmas atenções de quem é responsável por elas. Uma, a do caminho-de-ferro, foi reparada recentemente e apresenta-se de cara lavada, com um excelente aspecto. A outra, a rodoviária que liga a cidade antiga à outra margem, parece abandonada, à mercê da sorte, ameaçando cair aos bocados.
Basta olhar para o primeiro pilar e ver - no meu caso com muitos arrepios - alguns blocos de pedra que o constituem já desligados uns dos outros e salientes, eventualmente, a prepararem-se para um mergulho nas águas do Arade.
A velhinha ponte de Portimão, quase a cair aos bocados.
As restantes fotografias destas e das outras pontes podem ser vistas clicando na galeria Pontes de Portimão.
Há uns dois ou três meses, num passeio pelo Parque da Juventude, deparei-me com esta ninhada de patos, acompanhados pela mãe, que, atenta à aproximação de quem quer que fosse, os encaminhava, de imediato, para a água do lago, bem saturada de algas, como se pode ver pela sua cor verde.
Logo que o perigo passava, regressavam novamente a terra, com alguma dificuldade por parte dos pequenotes em subir a tão acidentada margem.
De facto, para treparem pelo muro acima, faziam-no mais como ratos que como patos. Era vê-los a meterem-se pelas fendas das pedras em grande esforço e, por vezes, serem devolvidos à água aos trambolhões.
Mãe galinha, aliás, pata...
A pata-mãe, apesar de nos manter sempre debaixo de olho, não fosse o diabo tecê-las, parecia deixar transparecer uma certa atitude de orgulho em nos mostrar a sua simpática prole.
Aqui está um excelente local para passar uns momentos fora da cidade, dentro dela, partindo de casa a pé e fazendo algum exercício que o coração agradecerá. O local não estará nas condições ideais, mas devemos saber viver com aquilo que temos e esperar por melhores dias.
O rali Lisboa-Dakar esteve, novamente, em Portimão.
Foram muitos os milhares de pessoas que o acompanharam, com entusiasmo, tanto na zona ribeirinha, onde as máquinas pernoitaram, como nas estradas florestais onde se desenrolou a prova cronometrada para motos e carros. Como é sabido, os camiões não participaram devido ao percurso ser inadequado para esse tipo de veículos.
Estas e muitas mais imagens podem ser vistas em forum-tt.com ou clicando aqui e aqui.
O edifício dos Paços do Concelho e a Fonte Luminosa, duas obras que levaram o seu tempo a fazer, com muitas vicissitudes pelo caminho.
Apesar se sentir a falta do verde das árvores, que já existiram lá, sabe bem sentarmo-nos nos bancos que rodeiam a fonte e usufruir da sensação de paz e sossego que a água e a cor nos transmitem.